ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

1. Peças fundamentais para realização da análise

É comum afirmar que a Análise das Demonstrações Contábeis é tão antiga quanto a própria Contabilidade. Se nos reportarmos para o início provável da Contabilidade (± 4000 a.C.), em sua forma primitiva, encontraremos os primeiros inventários de rebanhos (o homem que voltava sua atenção para a principal atividade econômica: o pastoreio) e a preocupação da variação de sua riqueza (variação do rebanho).
A análise da variação da riqueza realizada entre a comparação de dois inventários em momentos distintos leva-nos a um primeiro sintoma de que aquela afirmação (análise tão antiga quanto a própria Contabilidade) é possível.

1.1. Partes Interessadas na Análise das Demonstrações Contábeis
As informações contidas nos demonstrativos contábeis, trabalhadas de acordo com algumas técnicas de análise, podem tornar-se valiosos instrumentos de avaliação da situação econômico-financeira de uma empresa, de acordo com os interesses dos diversos usuários dessas informações.
Todavia, remonta de época mais recente o surgimento da Análise das Demonstrações Contábeis de forma mais sólida, mais adulta. É no final do século XIX que observamos os banqueiros americanos solicitando as demonstrações (praticamente o Balanço) às empresas que desejavam contrair empréstimos.
E por se exigir, de início, apenas o Balanço para a Análise é que se introduz a expressão Análise de Balanços, que perdura até nossos dias. Com o tempo, começaram a exigir outras demonstrações para análise e para concessão de crédito, como a Demonstração do Resultado do Exercício; todavia, a expressão Análise de Balanços já é tradicionalmente utilizada. Com o tempo, começou-se a exigir outras demonstrações para análise e para concessão de crédito, como a Demonstração do Resultado do Exercício; todavia, a expressão Análise de Balanços já é tradicionalmente utilizada. Como forte argumento para a consolidação da denominação Análise de Balanços, salientamos que a Demonstração do Resultado do Exercício foi conhecida, em certo período, como Balanço Econômico (Balanço de Resultado). A denominação Fluxo de Caixa foi conhecida como Balanço Financeiro; então, tudo era Balanço.
A Análise das Demonstrações Contábeis, também conhecida como Análise das Demonstrações Financeiras, desenvolve-se ainda mais com o surgimento dos Bancos Governamentais bastante interessados na situação econômico-financeira das empresas tomadoras de financiamentos.
A abertura do Capital por parte das empresas (SA – Sociedade Anônimas), possibilitando a participação de pequenos ou grandes investidores como acionistas, leva-os à escolha de empresas mais bem sucedidas, tornando-se a Análise das Demonstrações Contábeis um instrumento de grande importância e utilidade para aquelas decisões.
Cada um dos usuários tem um enfoque diferente, dependendo do seu interesse e tipo de relação com a empresa. Por exemplo:
Fornecedores: necessitam conhecer a capacidade de pagamento, a liquidez, a rentabilidade e o endividamento;
Clientes: além do enfoque do fornecedor, precisam considerar a capacidade de expansão, produção e realização de pesquisas e desenvolvimento de produtos da empresa, no aspecto do relacionamento futuro;
Instituições financeiras: além dos mesmos interesses dos fornecedores, analisam também a capitalização por parte dos acionistas e a capacidade da empresa para gerar recursos e saldar suas obrigações;
Concorrentes: analisam os indicadores da empresa com o objetivo maior de se auto avaliarem, comparando seus resultados;
Acionistas: utilizam as informações para tomada de decisões e n sentido de avaliarem o retorno sobre o capital investido;
Governos: interesse no recolhimento de tributos e contribuições sociais, além de informações socioeconômicas que podem nortear suas práticas de desenvolvimento setorial, regional ou geral;
Empregados: acompanhamento das condições financeiras e das possibilidades de crescimento da empresa. Preocupação maior com estabilidade da empresa, garantia de seu emprego.

1.2. Estrutura das Demonstrações Contábeis
As Demonstrações Contábeis Brasileiras são basicamente regidas pela Lei nº 6.404/76 e complementos. A Lei nº 11.368, promulgada em dezembro de 2007, trouxe importantes atualizações na forma de registrar as informações financeiras. Atualmente, a Contabilidade no Brasil caminha para tornar os balanços das empresas bem mais transparentes, fornecendo detalhes das informações relevantes aos investidores para adequar sua estrutura aos padrões contábeis internacionais. A seguir, apresentam-se como são estruturadas atualmente as demonstrações contábeis brasileiras e como são regidas as classificações a elas referentes e também como são discutidos os princípios de avaliação condicionantes da mensuração dos ativos e dos passivos, das receitas e das despesas. Apresenta-se também uma visão integrativa entre as várias demonstrações para se poder ter uma ideia ampla e geral de suas interligações, acompanhadas de suas notas explicativas e do Parecer dos Auditores Independentes.
Demonstrações Contábeis ou Financeiras equivalem a um conjunto de informações apuradas e divulgadas pelas empresas, revelando os vários resultados de seu desempenho em um exercício social. Através das demonstrações, é possível obter conclusões sobre a efetiva situação da empresa.
As sociedades por ações são obrigadas a elaborar e publicar as seguintes demonstrações contábeis ou financeiras:
Balanço Patrimonial: revela a posição, em determinada data, dos ativos, passivos e patrimônio líquido;
Demonstração de Resultados do Exercício: expõe as receitas e despesas incorridas pela empresa em determinado ano;
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido: grupo do Patrimônio Líquido e variações verificadas em determinado exercício;
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados: posição da conta “Lucros ou Prejuízos Acumulados” em determinado ano;
Demonstração dos Fluxos de Caixa: revela as movimentações financeiras de caixa ocorridas no exercício;
Demonstração do Valor Adicionado: valor da riqueza gerada pela empresa no período e sua distribuição.
Além dessas quatro demonstrações, existe a complementação obrigatória por meio de Notas Explicativas e, se for o caso, de “outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”.
Essas demonstrações devem conter os valores respectivos do exercício anterior. A legislação não fala em valores do exercício passado corrigidos; por isso, praticamente, a totalidade das empresas publica os valores do exercício anterior pelos valores apresentados naquela época.

Balanço Patrimonial (BP)
No Brasil, o balanço é dividido em três grandes tópicos: Ativo, Passivo Exigível e Patrimônio Líquido. A atual legislação estabelece a seguinte classificação para o Ativo e o Passivo: circulante e não circulante. O ativo não circulante é formado por realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
Resumindo, tem-se o quadro esquemático a seguir para o Balanço Patrimonial:

Quadro 1: Estrutura do Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO
ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE
DISPONIBILIDADES FORNECEDORES
CLIENTES EMPRÉSTIMOS
ESTOQUES IMPOSTOS A RECOLHER
OUTROS OUTRAS DÍVIDAS

ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO – FINANCIAMENTOS

INVESTIMENTOS PATRIMÔNIO LÍQUIDO
IMOBILIZADO CAPITAL SOCIAL
INTANGÍVEL AÇÕES EM TESOURARIA
RESERVAS
AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL
LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS

Ativo Circulante
O Ativo Circulante engloba, além das disponibilidades, créditos, estoques e despesas antecipadas realizáveis no exercício social subsequente. O que caracteriza o Circulante é a sua realização em até um ano. O mesmo se aplica ao passivo circulante, onde são registradas todas as obrigações correntes da empresa e vencíveis até o final do exercício seguinte.
Alguns casos de exceção previstos na legislação podem alterar, no entanto, esse prazo. Por exemplo, quando o ciclo operacional da empresa é superior a 12 meses, ativo e passivo circulante podem assumir prazo igual a esse ciclo, como ocorre nas construtoras de navios, nas fazendas de criação e engorda de gado e em outros casos raros. Mesmo assim, porém, as demonstrações são publicadas anualmente e o exercício social continua sendo de um ano. Muda apenas o conteúdo dos valores do Circulante, que passa a abranger prazo mais extenso.
As disponibilidades englobam saldos bancários livres a aplicações para resgate imediato. Esses recursos visam atender a todas as necessidades mediatas e relativas à atividade da empresa.
As aplicações financeiras podem ser em letras de câmbio, certificados de depósitos bancários, títulos públicos, fundos de investimentos e outras. Nesse caso, figuram no balanço pelo valor original da aplicação acrescido dos rendimentos proporcionalmente decorridos dentro do Regime de Competência do Exercício.
Os valores a receber de clientes e outros créditos são originados basicamente das operações da empresa. Esses valores devem ser devidamente provisionados pelas possíveis perdas como não recebimentos. São também diminuídos os valores descontados de duplicatas a receber (normalmente, em instituições financeiras).
Os estoques compreendem as mercadorias disponíveis para vendas, no caso de uma empresa comercial, ou matérias-primas adquiridas (ou em transformação) e produtos elaborados, no caso de uma empresa industrial.
As despesas antecipadas referem-se a recursos aplicados em itens que, sabida e objetivamente, se referem a serviços ou benefícios que devem ser usufruídos no exercício seguinte; é o caso dos prêmios de seguros, dos pagamentos de anuidades de revistas e jornais etc. Não devem aqui estar abrangidos adiantamentos concedidos a empregados, a diretores etc. Quanto aos encargos financeiros, só podem estar nas despesas antecipadas os relativos às duplicatas descontadas. Os relativos a empréstimos devem aparecer subtrativamente a eles no passivo exigível (encargos antecipados).

Ativo Não Circulante
São classificados como não circulantes todos os valores ativos cujo prazo de realização ultrapassar o final do exercício seguinte (prazo superior a um ano). O ativo não circulante, conforme estabelecido pela atual legislação brasileira, é composto de: ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
No Realizável a Longo Prazo são consideradas contas de natureza similar das do ativo circulante, porém apresentando vencimento após o final do exercício social seguinte ao da elaboração do balanço. Essa classificação indica um prazo de realização desses créditos superior a um ano, contando a partir da data de encerramento do balanço.
Os investimentos são considerados permanentes quando não destinados à negociação, mas dirigidos para produzirem benefícios à investidora mediante sua participação nos resultados de empresas investidas, ou para obtenção de bom relacionamento com os clientes ou fornecedores (inclusive instituições financeiras), ou para especulação pura e simples sem nenhum prazo definido (como obras de arte, terrenos etc. que não se destinem às atividades da empresa).
O Imobilizado inclui todos os bens de longa duração (permanentes), que não se destinam a venda, e utilizados nos negócios da empresa. Dessa forma, há três características que distinguem o Ativo Imobilizado:
a) não é destinado à venda;
b) é utilizado na atividade operacional da empresa;
c) apresenta longa duração, entendida como permanente.
Uma parte do imobilizado está sujeita à depreciação, amortização ou exaustão. A Lei nº 11.638/07 estabeleceu que as depreciações e amortizações dos imobilizados devem ser calculadas, a partir do exercício de 2009, considerando a vida útil econômica dos bens imobilizados.
A depreciação, amortização ou exaustão refere-se à perda de valor do imobilizado determinada pelo tempo, uso, obsoletismo etc. De conformidade a que bens se refiram, essas perdas recebem nomes diferentes: depreciações, amortizações ou exaustões, mas significam uma só coisa.
A depreciação, amortização ou exaustão são recuperações que representam partes do valor do bem imobilizado consideradas “perdidas” (consumidos) e que, portanto, se transformaram em custos ou despesas. Exemplos:
Depreciação: máquinas, equipamentos, edificações;
Amortização: aplicado a bens intangíveis, como patentes, direitos autorais, direitos de exploração de reservas;
Exaustão: reservas minerais e florestais.
No ativo Intangível são classificados todos os bens pertencentes à empresa e que possuem estrutura física. O seu valor é definido pelos fluxos de direitos e benefícios que podem gerar à empresa. Alguns exemplos: marcas, patentes, direitos de exploração, direitos autorais etc.

Passivo Circulante e Não Circulante
O Passivo Exigível, tanto o circulante quanto o não circulante, é composto de dívidas, obrigações, riscos (provisão para garantias, por exemplo) e contingências (estas são fatos geradores já ocorridos, como atuações fiscais, trabalhistas, ações judiciais e outros litígios em discussão).
Quando as obrigações da companhia vencerem no exercício seguinte ao do encerramento, são classificadas no curto prazo (Passivo Circulante); quando vencerem após o término do exercício social seguinte, são consideradas de longo prazo (Passivo Não Circulante). À medida que os empréstimos tomados a longo prazo passam a ser vencíveis no exercício social subsequente, são transferidos para o Passivo Circulante.

Patrimônio Líquido
O patrimônio líquido é calculado do balanço pela diferença entre o Ativo Total e o Passivo Exigível. Mede o total dos recursos próprios da empresa e pode ser entendido como uma obrigação da empresa perante seus acionistas (proprietários).
O patrimônio líquido aparece com os cinco subgrupos citados: capital social, reservas de capital, ajuste de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados.
O capital social reflete o investimento realizado pelos acionistas na empresa (integralizações de capital) e também parte do lucro líquido auferido em exercícios passados, não pago aos proprietários e incorporado ao capital.
Capital subscrito é a parte do capital que foi efetivamente integralizado (pago) pelo acionista. Capital a integralizar é a parcela da subscrição ainda não integralizada ( a pagar).
As reservas de capital são formadas basicamente por valores recebidos pela empresa, dos sócios ou de terceiros, que são jogados diretamente para o patrimônio líquido. Esses valores não se referem à prestação de serviços ou venda de produtos pela empresa, não devendo, em consequência, ser lançados como resultados. Exemplos: ágio na emissão de ações, doações (terrenos recebidos de prefeituras para novos investimentos no Município, por exemplo) e subvenções recebidas para investimentos, incentivos fiscais recebidos do governo e outras importâncias recebidas gratuitamente e destinadas a aplicações na expansão da capacidade produtiva da empresa.
A nova legislação (Lei nº 11.638/07) criou a conta de Ajustes de Avaliação Patrimonial no patrimônio líquido. Essa conta é formada pelas variações líquidas nos valores de ativos e passivos mantidos pela empresa em decorrência de sua avaliação a preços de mercado. Esses ajustes representam, em outras palavras, contrapartidas de variações verificadas nos valores de elementos do ativo e do passivo determinadas por marcação a mercado.
As reservas de lucros nada mais são do que lucros gerados pela empresa e retidos por várias razões. . Assim, a reserva legal é a parcela que a legislação impede que seja de fato distribuída. As estatutárias são as que os estatutos de algumas companhias obrigam que sejam criadas. As reservas para contingências dizem respeito a lucros retidos para fazer face a possíveis perdas que devem ocorrer no futuro, em função de fatos geradores ainda não acontecidos, como eventuais perdas de safras por problemas climáticos, de estoques por possíveis enchentes ou saques ou perdas de contrato em vigor; se essas perdas efetivamente ocorrerem, serão consideradas prejuízo no exercício em que se efetivarem, e essas reservas retornarão a lucros ou prejuízos acumulados para a compensação com tais prejuízos.

Demonstração de Resultado do Exercício (DRE)
A DRE tem como finalidade exclusiva apurar o lucro ou prejuízo de exercício, ou seja, quanto a empresa ganhou ou perdeu com seus negócios. O demonstrativo engloba as receitas, as despesas, os ganhos e as perdas do exercício, apurados por Regime de Competência independentemente, portanto, de seus pagamentos e recebimentos.

Quadro 2: Estrutura do Demonstrativo de Resultado do Exercício

DEMONSTRATIVO DE RESULTADO DOS EXERCÍCIOS – DRE
Receita Bruta de Vendas de Bens e Serviços
(-) Impostos sobre Vendas
(-) Devoluções, Descontos Comerciais e Abatimentos
(=) Receita Líquida
(-) Custos dos Produtos e Serviços Vendidos
(=) Lucro Bruto
(-) Despesas de vendas
(-) Despesas Administrativas
(-) Despesas Financeiras Líquidas
(-) Outras Despesas Operacionais
(+) Outras Receitas Operacionais
(=) Lucro Operacional
(-) Despesas não operacionais
(+) Receitas não operacionais
(=) Lucro/Prejuízo antes do Imposto de Renda
(-) Provisão para Imposto de Renda
(=) Lucro/Prejuízo do Exercício

Receita Líquida
A receita líquida é efetivamente a receita da empresa pela venda de seus produtos e de seus serviços, já que é a parcela que lhe pertence. Isso porque os impostos incidentes sobre venda (IPI,ICMS, ISS, PIS, COFINS) não são recursos seus, apenas transitam por seu caixa. São excluídos, para se chegar à receita líquida, as devoluções e os descontos comerciais e abatimentos dados incondicionalmente. Os descontos condicionais a pagamentos antecipados ou em determinadas datas são tratados como encargos financeiros entre as despesas operacionais.

Custos dos Produtos e Serviços Vendidos
O custo das mercadorias vendidas na empresa comercial representa basicamente o custo de aquisição desses bens. Nesse custo foram incluídos, ainda na forma de estoques, os gastos com colocação das mercadorias em condições de venda, como transporte, seguros etc. No caso da indústria, o custo dos produtos vendidos representa todos os gastos incorridos pela empresa em sua atividade de produção. Pode ser obtido pela soma dos estoques iniciais com os custos de produção, do período e a diminuição dos estoques finais. Na apuração dos custos de produção, são considerados todos os custos relativos à área de produção, quer diretos com relação aos produtos, quer indiretos, quer fixos, quer variáveis. Como, normalmente, na indústria o IPI e o ICMS pagos na aquisição dos insumos industriais são recuperáveis explicitamente na venda dos produtos, eles não integram o custo desses insumos nem o custo dos produtos vendidos.

Lucro Bruto
O lucro bruto é a simples diferença entre a receita líquida e o custo dos itens vendidos, o que resta das receitas líquidas de vendas, após cobrir o custo da mercadoria vendida (ou do produto fabricado ou dos serviços prestados), e destinado a remunerar as despesas com vendas, as despesas administrativas e as despesas financeiras.
Quanto mais elevado o lucro bruto, maior se apresenta a capacidade da empresa em remunerar suas despesas operacionais, seus encargos de financiamento, recolher impostos e gerar lucros aos acionistas.

Lucro Operacional
Para o cálculo do lucro operacional, deve-se deduzir do lucro bruto todas as despesas incorridas pela empresa e consideradas também outras receitas ou despesas operacionais. Pela legislação vigente, praticamente tudo é considerado operacional.

Lucro Antes do Imposto de Renda
Para o cálculo do lucro antes dos impostos, deve-se deduzir do lucro operacional toda a despesa não operacional incorrida pela empresa e considerada também receita não operacional.

Provisão para Imposto de Renda
O Imposto de Renda é calculado sobre o lucro do exercício, sendo o valor a pagar considerado como exigibilidade no balanço. Assim, surge no resultado e no Passivo Circulante a provisão para o Imposto de Renda.
O exercício social em que o lucro tributável é gerado denomina-se ano-base. O exercício em que o imposto é recolhido ao Governo é chamado de ano financeiro. Atualmente, no Brasil, o Imposto de Renda é pago no mesmo exercício em que é gerado.

Lucro Líquido
O lucro líquido, ou prejuízo, equivale ao resultado da empresa após os impostos, a empregados, a administradores, aos investidores, enfim, aos stakeholders.

Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) e dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DPLA)
A Demonstração das Mutações Patrimoniais é a conciliação entre os saldos iniciais e finais do exercício social de todas as contas que compõem o patrimônio líquido. Tem por finalidades evidenciar as mutações sofridas pelas contas do patrimônio líquido no exercício, como pagamentos de dividendos, aumentos de capital por integralização de novas ações, resultados apurados no exercício etc. Assim, nessa demonstração haverá uma coluna que nada mais será que a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Na Demonstração das Mutações Patrimoniais, ficam evidentes os fatos que provocaram mudanças apenas internas, sem alteração do patrimônio líquido, e os que afetaram todo o patrimônio líquido.
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados nada mais é do que a explicação do que aconteceu com essa conta durante o exercício social; apresenta a variação do seu saldo balanço por balanço. Compõe-se basicamente do seguinte:

Quadro 3: Estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados
DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
Saldo anterior
(±) Ajustes d Exercícios Anteriores
(-) Dividendos Extraordinários
(-) Incorporação ao Capital
(=) Lucro Líquido do Exercício
(-) Destinação do Lucro
(=) Saldo Final

Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
A demonstração dos Fluxos de Caixa revela todos os recebimentos e os pagamentos efetuados pela empresa em caixa, bem como suas atividades de investimentos e financiamentos.
A demonstração dos Fluxos de Caixa irá indicar o que ocorreu no período em termos de entradas e saídas de dinheiro do caixa. Assim com a Demonstração de Resultados, a DFC é uma demonstração dinâmica e também está contida no Balanço Patrimonial, que é uma demonstração estática.
A demonstração dos Fluxos de Caixa propicia ao gestor financeiro uma melhor visão para um planejamento financeiro eficiente.
A demonstração dos Fluxos de Caixa classifica os fluxos de caixa em três categorias:
Fluxo de Caixa das Operações: é relacionado à produção e entrega de bens e serviços. As entradas de caixa incluem o recebimento a vista de bens e serviços e das contas a receber, quando existirem, além de outros recebimentos, como juros de aplicações e demais itens que não sejam originários de atividades de investimentos e/ou financiamentos; as saídas de caixa envolvem os pagamentos efetuados a fornecedores, matéria-prima, salários, serviços, impostos, taxas, juros de empréstimos e financiamentos. Também é possível classificar os juros como atividades de financiamento.
Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento: são as atividades referentes a empréstimos e financiamentos. Incluem os recebimentos de empréstimos e demais entradas de recursos financeiros, e como saída consideram-se pagamentos de dividendos, amortizações e bens adquiridos.
Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos: são as atividades referentes a investimentos relacionados ao aumento ou diminuição dos ativos de longo prazo utilizados na produção de bens e serviços.
As transações como depreciação, amortização e exaustão são meras reduções de ativos e por isso não afetam o caixa, não entrando na DFC. Também não entram na DFC eventuais estimativas de perdas prováveis com recebimento de clientes.

Pode-se elaborar a DFC pelos seguintes métodos:
Método Direto: elabora a DFC a partir da movimentação direta ocorrida no caixa da empresa, demonstrando todos os itens que tenham provocado entrada ou saída de caixa;
Método Indireto: elabora a DFC de maneira mais ampla, sem destacar os detalhes das movimentações, como o método direto.
A seguir, tem-se uma estrutura resumida da DFC pelo dois métodos.

Quadro 4: Estrutura da Demonstração do Fluxo de Caixa pelos dois métodos.
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA
MÉTODO DIRETO MÉTODO INDIRETO
Atividades Operacionais Atividades Operacionais
(+) Recebimentos de Clientes Lucro Líquido do Exercício
(-) Pagamentos de contas (+) Depreciação
(-) Pagamentos despesas operacionais (±) Variações no Circulante (Capital de Giro)
(-) Pagamento de impostos
Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais

Atividades de Financiamento Atividades de Financiamento
(±) Novos empréstimos de curto e longo prazo (±) Novos empréstimos de curto e longo prazo
(+) Aumento de capital (+) Aumento de capital
(-) Despesas Financeiras (-) Despesas Financeiras
(-) Pagamentos de Dividendos (-) Pagamentos de Dividendos
Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento

Atividades de Investimentos Atividades de Investimentos
(±) Aquisição de Imobilizado (±) Aquisição de Imobilizado
(±) Outros Investimentos (±) Outros Investimentos
Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos Fluxo de Caixa das Atividades de Investimentos

(±) Caixa Inicial (±) Caixa Inicial
Resultado do Caixa Final Resultado do Caixa Final

Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
A Demonstração do Valor Adicionado passou a ser obrigatória para as companhias abertas a partir da Lei 11.638/07. A Demonstração do Valor Adicionado revela a riqueza criada pela empresa, ou seja, quanto ela acumulou de valor além do lucro líquido gerado no período e como foi feita a sua distribuição aos acionistas, credores, governo e funcionários.

Quadro 5: Estrutura da Demonstração do Valor Adicionado.
DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO
1. RECEITAS
Vendas de mercadorias, produtos e serviços
Provisão para devedores duvidosos (PDD)
Valores não operacionais
2. INSUMOS DE TERCEIROS
Matérias-primas consumidas
Custos das mercadorias e serviços vendidos
Materiais, energia, serviços de terceiros, perdas etc
3. VALOR ADICIONADO BRUTO ( 1 – 2)
4. VALORES RETIDOS
Depreciação, amortização e exaustão
5. VALOR ADICIONADO LÍQUIDO GERADO ( 3 – 4)
6. VALOR ADICIONADO RECEBIDO
Resultado de equivalência patrimonial
Receitas financeiras
7. VALOR ADICIONADO A DISTRIBUIR ( 5 + 6)
8. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO
Pessoal e encargos
Acionistas: dividendos e juros sobre capital próprio
Lucros/prejuízos retidos do exercício
Impostos, taxas e contribuições
Juros e aluguéis

de responsabilidade limitada. Notas Explicativas
A legislação brasileira determina, e a própria Contabilidade também, que as notas explicativas às demonstrações financeiras explicitem, entre outros aspectos relevantes:

Conteúdo das Notas Explicativas:
• Ramo de atividade da empresa, objeto social, localização etc.;
• Sumário das práticas contábeis, com a explicação resumida dos critérios de avaliação dos estoques, ativo permanente, das aplicações financeiras, das exigibilidades, dos créditos, das provisões para retificações de ativos e do registro dos riscos e das contingências, dos critérios de apropriação de receitas e despesas etc.;
• Detalhamento dos investimentos relevantes em outras empresas, com dados sobre nome, capital, patrimônio líquido, lucro líquido, porcentagem de participação, receitas e despesas intercompanhias, saldos a receber e a pagar e outras;
• Reavaliações realizadas no exercício e seu tratamento contábil;
• Ônus que gravem os ativos da empresa, garantias prestadas a terceiros, fianças, avais e outras contingências;
• Detalhamento das dívidas de longo prazo, com o perfil quanto a épocas de vencimento, taxas de encargos, tipos de indexação;
• Detalhamento do capital social quanto a número, espécies e classes de ações;
• Ajustes de exercícios anteriores realizados no exercício;
• Eventos subsequentes à data do balanço que possam alterar significativamente a posição financeira e patrimonial futuras da empresa;
• Detalhamento de contas agrupadas no balanço, tais como despesas financeiras líquidas, ativo imobilizado etc.;
• Cálculo do lucro e do dividendo por ação e do dividendo mínimo obrigatório.

Parecer da Auditoria Independente
Todas as companhias abertas são obrigadas a publicar, com suas demonstrações financeiras, o Parecer dos auditores Independentes. Também as instituições controladas pelo Banco Central, a quase totalidade das sociedades de economia mista, as seguradoras e outras devem publicar esse parecer, além de inúmeras companhias fechadas e até sociedades por quota
Esse parecer procura explicar se foram ou não aplicadas as normas tradicionais da Auditoria Externa, quais demonstrações foram auditadas e qual o Parecer dos Auditores quanto a estarem tais demonstrações dentro dos princípios contábeis em utilização hoje no Brasil e também quanto à prática uniforme, ou não, ao longo do tempo, dos mesos critérios contábeis.
A leitura atenta desse parecer é de suma importância também para o usuário externo.

1.3. Padronização das Demonstrações
A estrutura legal do Balanço é apresentada de forma resumida, englobando seus principais grupos patrimoniais e contas. A classificação adotada para o Balanço Patrimonial não é obrigatória do ponto de vista da legislação e a nomenclatura pode variar, mas basicamente engloba a maioria das situações.
Significa uma nona classificação, um novo reagrupamento de algumas contas nas Demonstrações Contábeis, sobretudo no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício. São alguns ajustes necessários para melhorar a eficiência da análise. Um bom motivo para a reclassificação é a padronização de critérios de tratamento para todas as empresas por parte do analista.

A Padronização é feita pelos seguintes motivos:
• Simplificação: um balanço apresentado segundo a Lei das S.A., por exemplo, compreende cerca de 60 contas. Isso dificulta a visualização do balanço como um todo. Quando se colocam lado a lado três balanços com 60 valores cada um e se calculam os percentuais de variação de um ano para outro, bem como a composição percentual de cada balanço (que é chamada análise vertical e horizontal), chega-se a 540 números, o que complica enormemente o trabalho de um analista. O modelo de balanço do quadro adiante para cerca de 25, o número de contas do balanço.
• Comparabilidade: com exceção das companhias que operam em ramo onde existe um plano de contas legal obrigatório (como acontecem com bancos, seguradoras etc.) toda empresa tem seu próprio plano de contas, com maior ou menor grau de detalhes e com títulos de contas em que é difícil descobrir a origem. Como a análise se baseia em comparação, só faz sentido analisar um balanço após o seu enquadramento num modelo que permita comparação com outros balanços.
• Adequação aos objetivos da análise: há pelo menos uma conta que deve sempre ser reclassificada: Duplicatas Descontadas; do ponto de vista contábil, é uma dedução de Duplicatas a Receber; do ponto de vista de financiamentos, porém, é um recurso tomado pela empresa junto aos bancos, devido à insuficiência de recursos próprios. Em nada se distingue de empréstimos bancários, do ponto de vista financeiro. Por isso, as Duplicatas Descontadas devem figurar no Passivo Circulante.
• Precisão nas classificações de contas: é frequente encontrarem-se balanços e demonstrações de resultados com falhas nas classificações de contas, como, por exemplo, certos investimentos de caráter permanente que aparecem no Ativo Circulante, despesas do próprio exercício que figuram como Despesas do Exercício Seguinte, gastos indevidamente lançados como Ativo Diferido quando deveriam fazer parte das despesas ou perdas do exercício, empréstimos de curto prazo que aparecem no Exigível a Longo Prazo; tudo isso visa embelezar os balanços. Uma padronização rigorosa deve corrigir isso.
Se o analista conhecer os principais itens de manipulação dos balanços, desconfiará das rubricas citadas e solicitará esclarecimentos à empresa em análise. Na dúvida, deverá reclassificá-las.
• Descoberta de erros: há casos de erros, intencionais ou não, verificados nas demonstrações contábeis. Exemplo: a) Estoques finais ou iniciais da Demonstração do Resultado do Exercício não coincidem com os estoques dos balanços. b) Provisão para Devedores Duvidosos do Balanço não coincide com a que foi constituída na Demonstração do Resultado do Exercício. c) Impossível conciliar o Patrimônio Líquido Final com os resultados do exercício mais o Patrimônio Líquido Inicial.
Nesses casos, deve-se desconfiar da veracidade das demonstrações contábeis e suspender a análise até que se esclareçam as dúvidas.
• Intimidade do analista com as demonstrações contábeis da empresa: a padronização obriga o analista a pensar em cada conta das demonstrações contábeis e a decidir sobre sua consistência com outras contas, sobre a classificação que deve dar a ela, enquanto a transcreve para o modelo predefinido de padronização. Ao terminar esse trabalho, o analista adquire grande familiaridade com os números da empresa e, em consequência, poderá enxergar detalhes que, de outra forma, não conseguiria.

Acha-se a seguir modelo de padronização de balanços e demonstrações de resultados que serve aos propósitos das análises:
As principais características desse modelo de padronização são:
a) O ativo apresenta apenas as contas essenciais.
b) No lado do Passivo, acha-se um subtotal representado por Capitais de Terceiros (Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo).
c) No Patrimônio Líquido aparecem apenas o “Capital Social” já deduzido de eventuais “Capital a Realizar” e somado às “Reservas”.
d) A “Demonstração do Resultado” evidencia apenas os valores fundamentais para análise.
e) A Receita Líquida de Vendas está deduzida das “Devoluções e Abatimentos” e “Impostos”.
f) As Receitas e Despesas Financeiras estão líquidas dos efeitos inflacionários.

1.4. O papel dos índices na Análise das Demonstrações Contábeis
A análise das demonstrações contábeis visa fundamentalmente ao estudo do desempenho econômico-financeiro de uma empresa em determinado período passado, para diagnosticar sua posição atual e produzir resultados que sirvam de base para a previsão de tendências futuras. Na realidade, o que se pretende avaliar são os reflexos que as decisões financeiras tomadas por uma empresa determinam sobre sua liquidez, estrutura patrimonial e rentabilidade. A característica fundamental dos índices é fornecer visão ampla da situação econômica ou financeira da empresa.
Os índices servem de medida dos diversos aspectos econômicos e financeiros das empresas. Assim como um médico usa certos indicadores, como pressão e temperatura, para elaborar o quadro clínico do paciente, os índices financeiros permitem construir um quadro de avaliação da empresa. Há porém, uma diferença: enquanto o médico pode ter certeza de que á algo errado com o paciente que apresenta pressão muito alta, talvez a iminência de um derrame, na empresa, um endividamento elevado não significa que esteja à beira da insolvência. Outros fatores, como prestígio da empresa junto ao governo, relacionamento com o mercado financeiro etc., podem fazê-la operar indefinidamente, mesmo que mantenha sempre elevado o endividamento. O índice financeiro, porém, é um alerta.
O importante não é o cálculo de grande número de índices, mas de um conjunto de índices que permita conhecer a situação da empresa, segundo o grau de profundidade desejada da análise. A profundidade d análise é variável de usuário para usuário. O fornecedor pode apenas querer rápidas informações sobre a empresa, a respeito de sua rentabilidade, de seu índice de liquidez. Se esse mesmo fornecedor estiver interessado não em vender mercadoria, mas em adquirir a própria empresa-cliente ou fundi-la com a sua, evidentemente desejará uma análise muito mais profunda.
Portanto, a quantidade de índices que se deve ser utilizada na análise depende exclusivamente da profundidade que se deseja da análise.
O enfoque segundo o qual a análise das demonstrações contábeis é desenvolvida pode variar conforme o interesse do analista. Por exemplo, o administrador da empresa, ao medir periodicamente seus resultados, procura avaliar, na realidade, o impacto determinado pelas decisões financeiras sobre o desempenho global da empresa. Em princípio, a administração da empresa mostra-se interessada igualmente em todos os seus aspectos, como liquidez, rentabilidade, endividamento, giro dos investimentos, evolução das vendas etc., sem atribuir relevância maior ou menor a qualquer deles.
Para os acionistas atuais da empresa (ou interessados em investir em suas ações), o objetivo da análise centra-se com maior nível de preferência sobre a taxa de retorno e risco dos investimentos, oportunidades de crescimento e desempenho de suas ações no mercado.
Ressalte-se que os credores atuais (ou futuros) da empresa costumam dar atenção especial à sua capacidade financeira em liquidar os compromissos financeiros assumidos (ou que venham a assumir).

1.5. As limitações na análise por meio de índices e indicadores
A análise das demonstrações contábeis constitui um dos estudos mais importantes das Finanças Corporativas, despertando enorme interesse tanto para os administradores internos da empresa como para os diversos segmentos de analistas externos.
Para o administrador interno da empresa, a análise visa basicamente a uma avaliação de seu desempenho geral, notadamente como forma de identificar os resultados (consequências) retrospectivos e prospectivos das diversas decisões financeiras tomadas.
Para o analista externo, por sua vez, apresenta objetivos mais específicos com relação à avaliação do desempenho da empresa, os quais variam segundo sua posição de credor, liquidez e capacidade de pagamento, ou de investidor, retorno do investimento e criação de valor. É de assinalar, ainda, que a análise externa, desenvolvida basicamente por meio das demonstrações financeiras usualmente publicadas pela empresa, traz dificuldades adicionais de avaliação, em função das limitações de informações contidas nos relatórios publicados.
Ainda que existam alguns critérios sofisticados, o uso de índices constitui-se na técnica mais comumente empregada nesse estudo. No entanto, algumas precauções devem ser tomadas. Inicialmente, aponta-se que um simples índice, isolado de outros complementares ou que ilustram a causa de seu comportamento, não fornece elementos suficientes para uma conclusão mais definitiva. Um índice isolado dificilmente contribui com informações relevantes para o analista. Ressalta-se também que, mesmo que se tenha mensurado um conjunto de índices complementares, é necessário efetuar uma comparação temporal e setorial.
A comparação temporal envolve conhecer a evolução desses indicadores nos últimos anos (normalmente, de três a cinco anos) como forma de se avaliar, de maneira dinâmica, o desempenho da empresa (por exemplo, se foi compatível com o planejado por sua direção) e as tendências que servem de base para estudo prospectivo.
A comparação setorial é desenvolvida por meio de um confronto dos resultados da empresa com os de seus principais concorrentes e, também, com as médias de mercado e de seu setor de atividade. Para esse estudo são utilizadas, normalmente, como fontes de informações, as principais publicações de índices setoriais disponíveis, como Melhores e Maiores, Estudos Setorial Serasa, Lista Platinum/orbes, Conjuntura Econômica, Instituto Assaf etc.
A análise de empresas é um processo essencialmente comparativo, pouco representando, em termos de conclusões mais acuradas, o estudo de índices (ou grupos de índices) de forma isolada de uma tendência temporal ou setorial. Em outras palavras, para um estudo mais eficiente sobre o desempenho de uma empresa, é importante que os indicadores sejam comparados:
a) historicamente, com os obtidos pela mesma empresa em períodos anteriores;
b) com os padrões estabelecidos pela gerência e também com as elaborados segundo metas estabelecidas pela empresa;
c) e com índices de empresas do mesmo ramo e padrões do setor de atividade e da economia em geral.

Referências bibliográficas:

ASSAF, N. A. Finanças Corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003
MATARAZZO, D.C. Análise Financeira de Balanços: uma abordagem gerencial. São Paulo: Atlas, 2003.
MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis. São Paulo: Atlas, 2001.
PADOVEZE, C. Análise das demonstrações financeiras. São Paulo: Thomsom, 2004

Risomar GusmãoAdministraçãoANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 1. Peças fundamentais para realização da análise É comum afirmar que a Análise das Demonstrações Contábeis é tão antiga quanto a própria Contabilidade. Se nos reportarmos para o início provável da Contabilidade (± 4000 a.C.), em sua forma primitiva,...Rede  Facima