Premiação teve como objetivo identificar, estimular, reconhecer e divulgar ações de educação empreendedora no Brasil

Flávio Carvalho

Após o sucesso nas inscrições para o Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora, Alagoas conheceu os quatro relatos de boas práticas que irão representar o estado na etapa regional, nas categorias de Ensino Fundamental, Médio, Superior e Profissional. A cerimônia, realizada na última sexta-feira (14), no Jatiúca Hotel & Resort, reuniu reitores, diretores, coordenadores, professores, secretários de Educação e outros profissionais envolvidos com o ensino.

“Essa solenidade desponta para nós, do Sebrae em Alagoas, como um dos eventos mais importantes da nossa instituição, porque está no nosso jeito de ser, que é buscar incansavelmente resultados transformadores e sustentáveis. É motivo de muito orgulho para nós termos conseguido ocupar o 6º lugar no ranking nacional de inscritos, à frente de estados que têm maior tradição em iniciativas na área. Isso é a prova do grande trabalho que vem sendo feito. Acreditamos que é por meio da educação das nossas crianças e jovens que construímos uma sociedade muito mais civilizada, desenvolvida e harmônica. Identificar, reconhecer e divulgar as melhores práticas da educação empreendedora que irão representar muito bem o nosso estado é, sem dúvidas, um momento ímpar.”, revelou Marcos Vieira, diretor superintendente do Sebrae em Alagoas.

Durante o evento, o público também conheceu a história do professor pernambucano Jayse Antônio. Em 2014, ele venceu o Prêmio Professores do Brasil na categoria Ensino Médio, e em 2017, na categoria Especial. Neste ano, ele está entre os 50 melhores professores do mundo. Na oportunidade, o professor apresentou dois dos seus projetos exitosos e mostrou como o educador pode inovar na sala de aula.

“Eu escuto muitos professores dizendo que não dá para inovar, que os alunos não querem. Mas uma coisa eu digo: com a pedagogia dentro dos projetos, eu aprendi a aconselhar os alunos a partir do que eles querem e indicar com quem eles têm que aprender. O meu primeiro projeto foi denominado ‘Etnias do Mundo’, que buscou valorizar a raça e a etnia de todos os meus alunos. Fizemos uma grande exposição de fotografias na escola com os recursos que tínhamos. E isso é muito importante frisar, porque, às vezes, as pessoas pensam que fazer diferente é caro, que a tecnologia é dispendiosa, e nem sempre é verdade. Para inovar, é preciso ser criativo, pedir ajudar, utilizar o que a gente tem. Já no segundo projeto, a gente trabalhou com curtas-metragens. Nós produzimos pequenos curtas inspirados também no que os alunos gostavam na época, como Harry Potter e MineCraft.”, compartilhou o professor.

Jayse ainda revelou que, depois dos projetos divulgados, muitas pessoas achavam que os trabalhos tinham sido feitos em escolas particulares. “As pessoas têm a mania de associarem o ensino público a algo ruim. Tem muitos professores excelentes por esse país. Tenho certeza de que aqui em Alagoas existem profissionais fazendo a diferença nas escolas públicas. Então, vamos incentivar e mostrar a importância do papel de professor. Precisamos lembrar que o nosso trabalho é incrível e modifica a vida de várias pessoas. Não podemos deixar que ninguém diga o contrário.”, enfatizou.

A premiação

O momento mais emocionante da noite foi a entrega dos prêmios, quando foram reconhecidos três relatos de cada categoria. O processo de premiação teve início com as inscrições das práticas. Cada relato foi avaliado pelo próprio relator (autoavaliação) e por uma banca de três avaliadores. A partir da média dessas avaliações, as melhores práticas foram submetidas a uma banca de juízes que, de acordo com os critérios técnicos, apoiados na sistemática da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), pontuou cada prática em seus diversos fundamentos.

Um dos relatos premiados e que irá representar Alagoas na etapa regional é “Tecnologias inclusivas e sustentáveis para a reinserção da cultura e beneficiamento do algodão no Sertão de Alagoas”, do Instituto Federal de Alagoas – Campus Santana do Ipanema. Emocionado, o professor Jaques Fernando Santos recebeu o troféu e falou sobre a importância do prêmio.

“Neste momento, passa um filme na minha cabeça. Há pouco tempo atrás, eu conversava com alguns dos meus alunos, dentro das aulas em que fomentamos novos negócios. Um deles olhou para mim e disse: ‘professor, o símbolo da nossa cidade, que fica na entrada, é um jumento com um caçoar nas costas. Aqui, a gente não tem turismo, não tem indústria, não tem muita coisa.’. Nesse mesmo dia, um outro aluno chegou ao pé do meu ouvido e disse: ‘professor, amanhã, não posso vir. Tenho que cuidar da minha mãe porque ela está desempregada. Meu pai é alcoólatra e ela só tem a mim.”. Nessa semana, entendi que precisava desenvolver alguma coisa para além da sala de aula, que dissesse para esses garotos que não existem limites para o coração, para a vontade. Eu sou cristão, então, naquele momento, eu entendi o significado das ações que Deus entrega em nossas mãos. Junto com o professor Augusto, que foi meu grande parceiro, nós começamos o processo de reintrodução da cultura do algodão no município. Em tempos passados, o Sertão de Alagoas foi um dos expoentes da produção de algodão no Brasil. A Embrapa e o Sebrae deram apoio e são parceiros desse projeto. Já vamos na quinta germinação de sementes alteradas que se adaptam àquela região. Mas o maior desafio era fazer com que esses meninos percebessem na cultura agrícola um fator de empoderamento, e que eles tivessem orgulho da terra, do seu chão e da sua casa. O projeto rodou durante quase oito meses. No final do ano, nós fizemos uma pequena exposição sobre os resultados. Não houve melhor prêmio do que ouvir da boca desse meu aluno a seguinte frase: ‘nunca pensei que eu pudesse construir um sonho em Santana do Ipanema e levá-lo para o mundo.’. Talvez ele não saiba, mas, naquele dia, ele me realizou como professor, como educador.”, contou, emocionado.

O Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora é uma realização do Sebrae com o apoio técnico da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

Confira os vencedores de cada categoria

Fundamental

1º lugar – Saúde que vem da terra

Escola de Ensino Fundamental Benjamin Felisberto da Silva – Arapiraca

2º lugar – Educando e empreendendo no campo

Escola Municipal Professora Mary Sampaio Caparica – Palmeira dos Índios

3º lugar – Empreendedorismo: seja protagonista da sua ideia

Escola Estadual Antônia Macedo – Palmeira dos Índios

Médio

1º lugar – Cuidando da saúde dos cabelos com opunthia conchenillifera (palma) e ziziphus joazeiro (juá)

Escola Estadual Graciliano Ramos – Palmeira dos Índios

2º lugar – Biologia no Ensino Médio: uma proposta de ensino-aprendizagem por meio de produção de games

Escola Estadual Professora Judith Nascimento da Silva – Messias

3º lugar – Programa de Apoio aos Estudantes das Escolas Públicas do Estado (PAESPE)

Universidade Federal de Alagoas – Campus Maceió

Profissional

1º lugar – Tecnologias inclusivas e sustentáveis para a reinserção da cultura e beneficiamento do algodão no Sertão de Alagoas

Instituto Federal de Educação Tecnológica de Alagoas – Campus Santana do Ipanema

2º lugar – Pesquisadores em ação: da escola para o mundo

Instituto Federal de Alagoas (IFAL) – Maceió

3º lugar – Moda e desenvolvimento sustentável

Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) – Maceió

Superior

1º lugar – Ensinando para a vida

Centro Universitário Cesmac (CESMAC)

2º lugar – Brincar e educar: jogo de tabuleiro poupa kids

Faculdade da Cidade de Maceió (Facima)

3º lugar – Livro educativo sensorial para portadores de TEA

Faculdade da Cidade de Maceió (Facima)

 

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