Você já ouviu falar em Schadenfreude?

Schadenfreude. Saiba por que você precisa ter consciência deste sentimento.

Sabe aquela vez em que você riu quando viu alguém tropeçando ou caindo na sua frente? Ou aquele momento em que deu um sorriso discreto quando aquele seu colega de trabalho levou uma bronca do chefe?

Então… você pode nunca ter ouvido falar nisso, mas ao esboçar estas reações de felicidade ou prazer pelo dano alheio, que advém muitas vezes de um pensamento ou de um sentimento, você está praticando o schadenfreude.

Esta é uma palavra derivada do alemão, usada também em outras línguas ocidentais, que literalmente quer dizer : alegria pelo dano ou sentir prazer no problema vivido pelo outro; Schaden- dano, prejuízo; freude- alegria, prazer.

Por que schadenfreude pode se tornar um sentimento perigoso?

Se por um lado, schadenfreude parece um sentimento inofensivo e até benéfico, refletindo nosso prazer com a dor alheia, porque em muitos casos ela ameniza as nossas, lembrando quão afortunados somos – isso explica o sucesso dos programas sensacionalistas; por outro, este sentimento pode despertar o pior que podemos ser.

Segundo teorias sociais, o ser humano baseia seu sucesso ou insucesso na comparação com o que o outro tem ou faz. E quanto mais próximo do círculo social, mais invejada aquela pessoa é. O professor de filosofia da Universidade de Haifa em Israel, Aaron Ben- Ze´ev, em entrevista ao New York Times afirma: “ Você inveja mais um colega que ganha mil dólares a mais por ano do que um presidente de empresa, que ganha milhões de dólares a mais… Também invejamos mais pessoas famosas, elas são símbolos para nós”.

Isso leva muitas vezes ao schadenfreude público, seja por meio de um comentário, seja por meio de uma ação. Um exemplo são os ataques de ódio nas redes sociais dispensados anonimamente, na maioria das vezes, às celebridades.

Corroborando com a fala de Aaron, em 2009 foi publicado pela revista Science um estudo neurológico sobre a inveja. Neste estudo, 19 voluntários deveriam vislumbrar cenários de competição com o estudante A – melhor sucedido que o protagonista em várias áreas. Ao realizar o experimento, porém, o protagonista saiu-se melhor que A. A inveja acionou o córtex cingulado anterior (CCA), relacionado à detecção de erros e conflitos, que também é ativado nas dores, dor empática e associada à exclusão social. O estudo deixou claro, porém, que esta ativação, só aconteceu porque o protagonista estava relacionado com o objeto da inveja.

O problema acontece, porém, quando relativizamos nossas perdas e sucessos e passamos a nos comparar com o outro. Já não nos importamos se temos um bom emprego e sim, que nosso colega recebe um maior salário e de quebra ainda, é mais popular. Já não tem importância se somos felizes no casamento e temos a perspectiva de uma linda família, mas sim que o popular da época da faculdade, está solteiro e aproveitando a vida viajando para todos os lugares ou vice-versa. Já não fico feliz se consegui trocar o carro, quando sei que um vizinho comprou um carro importado bem melhor que o meu. Já não me sinto feliz com aqueles 2kg perdidos à custa de fome e sacrifícios, quando sei que tem alguém com a barriga tanquinho estampada na capa de revistas e com a aparência mais feliz que já vi.

Em resumo, o problema existe quando a comparação com o outro nos impede, de apreciarmos a nossa vida como ela é e de sermos felizes com o que somos e temos.

http://redefacima.com/wp-content/uploads/2018/06/unnamed.gifhttp://redefacima.com/wp-content/uploads/2018/06/unnamed-150x150.gifProf. Alessio SandroAdministraçãoVocê já ouviu falar em Schadenfreude? Schadenfreude. Saiba por que você precisa ter consciência deste sentimento. Sabe aquela vez em que você riu quando viu alguém tropeçando ou caindo na sua frente? Ou aquele momento em que deu um sorriso discreto quando aquele seu colega de trabalho levou uma bronca do...Rede  Facima