Fonte: revistaeducacao.com.br

Jones, 2 anos, era um menino agitado e ativo que adorava esvaziar prateleiras, espalhar brinquedos pela creche e ver a educadora correr atrás dele para retomar a ordem do lugar. Instigada por informações sobre observação infantil, a educadora se forçou a olhar para Jones todos os dias com outros olhos. Ela notou, então, que a música prendia a atenção e a concentração da criança e, com isso, passou a estimulá-lo com diferentes instrumentos. Como resultado, o menino começou a passar mais tempo com a educadora lendo livros, conversando e preparando o lanche. Com isso, a imagem de garoto caótico, hiperativo e problemático deu espaço a uma nova, de uma criança curiosa, esperta e com um ótimo senso de humor.

A educadora em questão é Amy Laura Dombro e a experiência faz parte do livro O poder da observação – do nascimento aos 8 anos. Com o seu relato, a autora chama atenção para a importância da observação no processo pedagógico da educação infantil. “Com as informações que você adquire ao observar, é possível selecionar os materiais certos, planejar atividades adequadas e fazer perguntas que orientem as crianças para aprender a entender o mundo que as rodeia”, descreve. Isso porque cada criança lida de sua própria maneira com a aprendizagem. Logo, o olhar atento sobre os interesses, as relações, a personalidade e as interpretações das experiências das crianças são essenciais para que o educador avalie a reação à sua proposta e reveja suas práticas.

O pedagogo Gabriel Junqueira Filho, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta: qualquer projeto pedagógico está fadado ao fracasso se não houver a observação. “Não olho para uma criança como para uma tela de um museu, mas como ela responde a mim, ao que eu escolhi para ela fazer”, afirma. “A observação é o pressuposto da pedagogia porque significa querer saber a reação do outro em relação àquilo que está acontecendo entre vocês.” Nesse sentido, a observação bem feita pode ser a medida do bom desempenho de um projeto pedagógico. “Isso é absolutamente importante para pensarmos de que maneira e em que medida o projeto pedagógico teve sucesso ou não”, analisa Maristela Angotti, da Unesp.

O que observar?

É simples convencer-se de que a observação das crianças é essencial para o processo de aprendizagem. Mas de onde partir? Como ser um observador? O que observar? Judy, Amy e Margo sugerem alguns campos para dirigir o olhar à criança: saúde e desenvolvimento físico, temperamento, habilidades e capacidades, interesses, cultura e vida em família, abordagem à aprendizagem, uso da linguagem verbal, uso da linguagem corporal e interações sociais com adultos e outras crianças.

“Se a educação infantil tem por finalidade o desenvolvimento integral dessa criança, temos de observar a criança como um todo”, aponta Maristela. Isso inclui a forma como ela se movimenta, fala, observa, interage, se expressa, se relaciona com o mundo, como constrói a oralidade. E esses são apenas alguns exemplos.

A indicação dos especialistas é observar tudo, mas, segundo Junqueira, da UFRGS, a observação deve ser dirigida pelo planejamento. “Se o educador quer que as crianças desenhem, sabe que vai observar quem fica feliz com a proposta, quem não fica, quem não diz nada”, exemplifica. Depois disso, há os que fazem dois riscos e dizem ter terminado, há os que se debruçam durante um longo período, os que preenchem a folha inteira, os que se restringem a um canto do papel. Uns apertam a canetinha com força contra a folha, outros pedem que um colega faça o desenho por eles. “Se o educador estudou a atividade desenho, tudo isso é elemento para observar a criança em ação. Mas se ele não estudou nem planejou, o que vai observar? Só vai contar tempo no relógio.”

Desta forma, uma sugestão é fazer a sequência de questionamentos: qual é o projeto pedagógico? Qual é meu planejamento para colocá-lo em prática? Quais resultados pretendo alcançar? A partir disso, então, é possível criar perguntas que orientem a observação, que nada mais é do que a forma de entender o desenvolvimento de cada criança a partir da proposta e atividades realizadas.

http://redefacima.com/wp-content/uploads/2018/04/MOR9656-1024x680-1024x680.jpghttp://redefacima.com/wp-content/uploads/2018/04/MOR9656-1024x680-150x150.jpgElâniaPedagogiaFonte: revistaeducacao.com.br Jones, 2 anos, era um menino agitado e ativo que adorava esvaziar prateleiras, espalhar brinquedos pela creche e ver a educadora correr atrás dele para retomar a ordem do lugar. Instigada por informações sobre observação infantil, a educadora se forçou a olhar para Jones todos os dias com outros...Rede  Facima